[Parte 1: Sobrecarga de Informação e Obesidade Mental]
[Parte 2: Agregando valor na produção de conhecimento]
Notícias, mensagens, twittadas, vídeos, dados, canais, redes! E a questão: como eu passo por toda a ladainha da internet para encontrar aquilo que é realmente relevante? Sim, amigos, a questão do filtro.
Há dois fitros, sempre: um interno, o que eu escolho ler, e um externo, o que chega até mim. Como o interno é individual, vejamos o externo. Uma pesquisa com os artigos da New York Times mais enviados por e-mail chegou a conclusões bastante interessantes: artigos longos são mais compartilhados que os curtos, e principalmente, aqueles capazes de instigar uma alteração na visão de mundo do leitor apareceram com grande destaque.
É um brilho de lampejo na capacidade do usuário como responsável pela propagação de conhecimento e sabedoria. Outra abordagem apela para a coletividade, para a “sabedoria das multidões“. Se pensarmos nesses modelos surgindo em 2004 com o Digg, a idéia já tem certa maturidade.
E o mais incrível! O modelo não serve apenas para espalhar o último vídeo de um gatinho cantando trololo na internet, também é útil dentro do modelo científico. O cientista social Cameron Neylon tem uma ótima apresentação sobre isso.
O editor da Wired Steven Johnsons, no mesmo artigo Snack Culture, contra argumenta que no fim, a informação não está mais curta, e nem mais fragmentada, é apenas um erro de percepção. Nós temos mais de tudo, tanto dados fragmentados como de sabedoria e conteúdo longo.
Uma grande mesa farta
Imagine uma grande festa com uma grande mesa, com todo o tipo de comida possível, provavelmente saída de um texto de Terry Pratchet ou Douglas Adams. Agora imagine você na festa, escolhendo o que comer. Você experimenta ótimas refeições francesas, ou corre para a mesa de doces? De cara algumas conclusões:
- Haverá chefs preocupados com a qualidade da comida e doceiras simpáticas.
- As mesas com mais movimento vão sempre chamar mais atenção, gerando ainda mais movimento.
- Você vai acompanhar seus amigos. É improvável que prefira uma refeição completa enquanto todos eles atacarem os nachos.
- Vice-versa. As refeições que escolher definirão os contatos e amizades que fará na festa.
Com essa metáfora para a internet tento mostrar que não há conteúdo bom e conteúdo ruim. Nem um jeito certo de consumir as coisas. Mas há sim, sempre, consequências. É um exercício do poder de escolha, embora não absoluto, maior que em outros canais como televisão ou rádio.
Ainda há muito a ser discutido nessa questão. Obesidade mental é sim um problema sério para o futuro, principalmente com a educação e as redes se fundindo cada vez mais. Mas o quanto não estaremos entrando na invasão à opção individual ao lutarmos contra? Mas você, o que acha? Sua mente está engordando ou ganhando músculos?
A imagem que ilustra este post é de jules_shanghai.
Por Rodrigo van Kampen
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