Fritura Mental 1: Sobrecarga de Informação e Obesidade Mental

Postado em Artigo em 30/03/2010 com as tags , , , , .

Anti advertising por AlejandroooNotícias, mensagens, twittadas, vídeos, dados, canais, redes! Quando parece que a humanidade endoidou para não parar mais de produzir, surgem termos como information overload. Ou sobrecarga de informação, que se você ainda não viu, verá.

Sobrecarga é excesso, mantenha isso por tempo suficiente e você obtém obesidade mental, candidata à próxima doença do século! É uma análise não da quantidade, mas do tipo de informação consumida. Esquecemos de nos alimentar de informações saudáveis para manter a mente esbelta e atacamos com os dedos gordos a snack culture, definida em 2007 pela Wired como a cultura da informação fragmentada em pequenos pedaços digeríveis.Adoramos uma porçãozinha de batata-frita com bacon! Preferimos aqueles caracteres rápidos do twitter, o lanchinho de comer em pé no Orkut. Quem hoje ainda lê uma refeição completa de 5 páginas?

Só que o “hoje” está mal colocado. Vá a qualquer banca e olhe as capas de revistas e jornais, e me responda se não é o balcão de doces da padaria? Ou melhor ainda: ligue a TV. O público quer batatas-fritas. E este infográfico da Wired prova como a história é velha.

Nós temos um problema

Será que temos mesmo? Algumas pessoas, como Get Grok, não só acreditam nisso, como engajaram em uma batalha contra o fim da produção e consumo de toda essa fritura mental em blogs, twitter, facebook e etc, quase um Super Size Me da web.

Para tentar entender essa questão de uma maneira lógica, quebrei o artigo em mais duas partes, que abordam o assunto na produção e no consumo da informação. Na semana que vem publico a parte 2!

Debate

Para encerrar a primeira parte, proponho aqui um debate, sobre obesidade mental. Acha que temos cada vez mais apelado ao conteúdo fácil, calórico, cada vez mais abundante, e temos lido menos livros, menos posts longos e técnicos, ou seja, consumindo menos refeições ricas em conceitos?

[Parte 2:  Agregando valor na produção de conhecimento ]
[Parte 3: Agregando valor no consumo e compartilhamento de conhecimento ]

A imagem que ilustra este post é de Alejandrooo.

Por Rodrigo van Kampen

5 comentários

Rodrigo van Kampen disse:

Bom, para começar o debate: dizem que o twitter matou boa parte dos blogs. Eu acho que 140 caracteres não substituem uma boa argumentação.

Aliás, os meus blogs favoritos são aqueles justamente que são atualizados menos de uma vez por semana, com textos longos que geralmente me fazem pensar.

Por outro lado, ler textos longos dá uma preguiça danada quando tem tanta coisinha fácil de ver, acho que eu leio muito menos do que leria se não fosse isso. É aquela velha história do “desligue a TV e vá ler um livro”… =)

carlosdias disse:

uma boa analogia, rodrigo.

acredito que a tendencia do ser humano é sempre procurar o “minimo esforço”. Ainda não percebi se ando lendo mais coisas caloricas do que antigamente, porque o que eu consumo na internet é basicamente informações sobre Quadrinhos, Filmes e Jogos. São áreas do meu interesse, mas que eu sei que não agrega muita coisa ao meu profissional. Mas estas são minhas leituras diárias em blogs como o Melhores do Mundo ou o Continue, alem do podcast do Matando Robos Gigantes, e muitas vezes são textos longos, muitas críticas sobre determinado encaderno de quadrinhos que saiu ou sobre como tal jogo afetou a industria dos games e por ai vai. Acho que ler textos longos vai mais do gosto de cada um e do que interesse.

Voce também cita o twitter, que se encaixaria mais como um fast-food da internet. Porém, eu que antes detestava isso, passei a gostar justamente por descobrir muita coisa twittada ou retwittadas pelos outros (este texto meu, vi pelo twitter).

Vou acompanhar o resto do artigo pra ver aonde chegaremos nessa discussão.

Abraços e sucesso

Bruno Müller disse:

Ótimo texto, Rodrigo.

Eu estava pensando nesse tipo de coisa há alguns dias, vendo os meus próprios “hábitos alimentares”. Eu percebi que desenvolvi uma extrema preguiça pra ler (na internet) algo que tenha mais do que três parágrafos.

Ainda que eu leia sobre muita coisa, não estou me aprofundando em nada especificamente; tá na hora de começar uma boa dieta. =p

Amy disse:

Ótimo texto, Rodrigo.

Eu estava pensando nesse tipo de coisa há alguns dias, vendo os meus próprios “hábitos alimentares”. Eu percebi que desenvolvi uma extrema preguiça pra ler (na internet) algo que tenha mais do que três parágrafos.

Ainda que eu leia sobre muita coisa, não estou me aprofundando em nada especificamente; tá na hora de começar uma boa dieta. =p

Raquel disse:

Gostei de discussão e resolvi participar!

Eu particularmente, leio texto longos, e gosto, mas há um porém, leio texto longos que teêm conteúdo para oferecer, para mim pode ter 5 ou 10 paginas, não importa, desde que o assunto seja bom, e não fique dando voltinhas para chegar em lugar nenhum.
Tenho o hábito de trocar a TV, por um bom livro, e acho que isso é mais relacionado a cultura e gosto!
Como a pouco tempo atrás eramos da era “arroz e feijão”, ou seja, livros e revistas conceituadas, hoje estamos na era do Fest Food, Blog e Twitter, a solução, ou melhor o caminho diante de tanta informação, é sermos pessoas criticas e escolhermos queremos assimilar, básicamente acho que a escolha de ter uma mente saudável vem de cada um.
Assim sendo, na minha opnião, mesmo diante de tanta variedade, comer em uma lanchonete de esquina ou frequentar um restaurante bom, é uma liberdade de escolha.

Obs.: Rodrigo, adorei seu blog e passarei a frequentar!

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