Se você se interessa por mídias sociais e acompanha um ou dois blogs de marketing e comunicação, pode ser que já tenha ouvido falar do termo hub social. De uma maneira simples você pode entender hub social como um “super blogueiro pop-star“. Quase, mas não exatamente isso.
Vou tentar buscar dois conceitos acadêmicos e mostrar como eles se aplicam no marketing. Como não sou acadêmico, pode haver distorções nas teorias que vou citar, procure sempre uma fonte confiável , não eu.
O hub social na teoria das redes
A teoria de redes é aplicada a muitas áreas, como por exemplo jornalismo, psicologia, engenharia de tráfego ou análise de sistemas. Ela busca mapear, estudar e quantificar as interações entre os elementos em um determinado sistema.
Traduzindo com o exemplo clássico: imagine uma sala de aula com crianças. Esse será o seu “sistema”. Ela possui 10 meninos e 10 meninas. A teoria das redes vai tentar estudar como essas crianças interagem entre si, gerando gráficos bonitinhos com ligações entre as pessoas.
Para entender melhor o que estou falando, dê uma olhada na apresentação elaborada por Fernando Guarnieri, particularmente os slides de 7 a 10.
Quais seriam então os hubs sociais segundo a teoria das redes? Aqueles com o maior número de contatos, ou então os capazes de fazer pontes entre aqueles que não se comunicam. Dado um determinado nicho, basta você comparar os números de conexões (ou acessos) de um determinado blogueiro, twitteiro ou comunicador para descobrir então qual é o hub daquela comunidade.
O hub social como formador de opinião
Para as teorias da comunicação, formadores de opinião são pessoas de reconhecimento público que de um modo ou de outro, infuenciam a opinião da maioria. Podem ser intelectuais, educadores, líderes empresariais e sindicais, políticos, jornalistas, artistas, personalidades públicas.
Muitas vezes um hub social tem o poder de começar um movimento em prol de uma causa, seja ela política, social, a favor ou contra uma marca. Nesse conceito, podemos emparelhar Hitler e Dalai Lama como hubs sociais, por conseguirem o apoio de uma parcela da sociedade em prol de uma determinada causa. Repare que o conceito de formador de opinião não é novo, e não se aplica somente à web.
No marketing, então, uma boa ação com hubs sociais seria então conquistar esses formadores de opinião, para que eles se tornem evangelizadores da sua marca.Um exemplo: a apple foi mestre nisso há alguns anos. Hoje tem feito o contrário. Vejo cada vez mais formadores de opinião criticando a linha de “plataformas fechadas” para seus equipamentos (dificultando a criação de aplicativos por entusiastas).
Aplicando diretamente às midias sociais, um hub social do tipo “formador de opinião”, é aquele cujo post gera outros posts em diversos blogs, comentários relevantes, “retwites”, em suma: alguém não apenas capaz de fazer sua opinião ser lida por diversas pessoas, mas principalmente repercutida.
Opinião e Fama estão nos lados opostos de uma balança
Não adianta uma agência ou marca querer realizar ações “com os maiores hubs sociais da internet”. Por dois motivos:
1- Porque quanto mais específico o nicho de atuação, mais valorizada é a opinião de determinada pessoa. Quanto maior a especialização, mais relevância o profissinal tem para a comunidade. Como ninguém é especialista em tudo, só os jornalistas, é a mesma coisa que colocar um oncologista para dar sua opinião sobre uma argamassa. Ou um engenheiro civil sobre um novo remédio contra o câncer.
São exemplos extremos, sim, mas tem muita agência fazendo exatamente isso. Esquecendo todo o conceito de cauda longa e chamando blogueiros de um assunto para ações de marcas que nada tem a ver com seu público. Pode ser que até consiga espaço. Mas o público vai considerar aquela opinião?
2- Por causa da boa e velha síndrome da carne de vaca, aquela que explica por que muitas vezes deixamos de gostar de algo quando ela se generaliza. Quando uma comunidade é pequena, cada membro é valorizado. Quando leio o blog de amigos que têm 12 leitores no máximo, eu sei que a opinião é sincera, escrita para mim. Conselho de amigo próximo! Ao ler blogs com milhões de visitas, eu sou só mais um na multidão. A opinião perde força.
É o mesmo caso de artistas em comerciais. Vocês acreditam mesmo que os artistas usam aquela dentadura, aquele remédio, aquela imobiliária? O mundinho da internet está cada vez mais parecido com o da TV. Você pode chamar sempre o seu blogueiro popstar preferido, mas o público também pode escolher comprar a idéia ou não.
Não existe hub social genérico
Por fim, cada campanha é uma campanha. Existe “pau para toda obra”, ou aquele comunicador que tem uma audiência monstro. Mas muitas vezes é muito mais interessante (e barato!) procurar quem é o hub dentro do nicho específico que você quer.
Audiência qualificada sempre foi, e sempre será, a alma do marketing. Pena que algumas agências esqueceram disso.
—
**Atualização (09/10)** Depois de algum tempo pensando sobre o tema, acho que fiz uma generalização incorreta no texto, que dá a entender: “quando mais audiência, menor credibilidade e vice-versa”. Acho que uma visualização mais correta do tema seria uma matriz assim:

Por Rodrigo van Kampen
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A tempo: o Andyzeo tem um ótimo post sobre relevância, que dialoga com o conteúdo daqui! Vale a pena uma conferida: http://andyzeo.wordpress.com/2009/10/07/sobre-listas-scripts-e-relevancia-na-web/
Adorei a ilustração da pessoa de papelão hahaha
Não sei se é necessariamente culpa de hubs sociais super-expostos como o @marcelotas ou o @cmerigo que causam esse generalismo das ações/agências e o “efeito televisão”, apesar de claro eles serem beneficiados com todo esse assédio.
Muito disso é empurrado por pedidos de clientes desinformados, prazos apertados e agências mal preparadas para fazerem mapeamento de audiência qualificada.
Ainda pretendo falar disso, mas ótimo post
Depois de ler fiquei com a sensação que na internet, todo mundo é um HUB social. Deixe-me explicar.
Por mais que uma pessoa X seja um anônimo entre tantos outros anônimos, ela tem a capacidade de influir sobre seus semelhantes. Se ela falar bem ou mal de algo para quem ela conhece e confia, esses novos atores poderão fazer o mesmo, ampliando o impacto da mensagem (claro que a passos de formiguinha). Então seria o boca-a-boca o verdadeiro conector do HUB social?
Um exemplo: existem muitas piadinhas sobre os carros da marca Fiat, falando que eles não funcionam. Eu nunca dirigi um Fiat, mas tenho a impressão que não estaria fazendo um bom negócio a comprar um carro desses. Ficaria com a sensação que estaria me arriscando ao comprar um.
Nesse caso, o HUB orginal (um pouco “The Matrix” isso, né?) comprou um dos primeiros carros da Fiat que vieram importados para o Brasil. Só que na Itália as pistas são lisas e aqui é um verdadeiro rally urbano. Como os carros foram projetados para um terreno estável, a fiação dos mesmos não tinha folga para as pancadas que eles levavam aqui, logo um Fiat original tendia a parar de funcionar depois de umas pancadas com o solo. Bastou uma pessoa espalhar que a Fiat era uma marca ruim que até hoje se ouve isso.
HUBs sociais realmente podem ser qualquer um. O que varia é o calibre do tiro que ele pode dar.
Um super abraço,
.faso
O gráfico fico sensacional! Demonstrou bem todos os pesos e medidas para poder escolher um divulgador hubbiano! XD
Abraços,
.faso
Parabéns! Muito bom o post. Aprendi muito com as informações.
[...] quem executa essa tarefa, quanto para quem é o alvo do seeding, geralmente consumidores finais e “hubs” da mídia social. E também pode ser chato para a imagem de uma empresa que usa esse método para promover seu [...]
Andyzeo, Faso, e João Bosco,
Muito obrigado pelo comentário de vocês. Andy, essa questão das agências dá muito pano pra manga, e você sabe muito bem disso! =D Faso, eu realmente não tinha sacado essa do boca a boca, realmente faz sentido. João Bosco, fico feliz em ajudar!
[...] um quadro muito interessante que encontrei no blog Peixe Fresco, que mostra a relação audiência x credibilidade e torna mais fácil a [...]
[...] quem executa essa tarefa, quanto para quem é o alvo do seeding, geralmente consumidores finais e “hubs” da mídia social. E também pode ser chato para a imagem de uma empresa que usa esse método para promover seu [...]
[...] de mídias sociais, que podem ser considerados "super blogueiros pop-star" (ler mais em http://peixefresco.net/2009/whadahell-e-social-media/o-que-e-hub-social/). Mas além disso, pode ser chato para a imagem da empresa que utiliza essa técnica [...]