Política e Redes Sociais

Postado em Artigo em 14/07/2009 com as tags , , .

Estou aguardando com ansiedade e receio as próximas eleições. Particularmente pelo uso que será feito, autorizadamente ou não, das redes sociais para a política. O cenário é interessante: Case Obama ainda fresquinho na cabeça, horário eleitoral chato (e palhaço) como sempre, migração em massa para a internet e redes sociais.

Isso é bom!

Horário Eleitoral por RSS
Eu nunca tive saco para assistir a horário eleitoral e sempre fui um eleitor ruim, votando mais pelo histórico do candidato que por suas propostas. Com a rede a tendência é as propostas irem parar no blog, na comunidade do candidato. Acompanhando os posts por RSS, vai ser mais fácil me decidir entre um ou outro na reta final.

Diálogos, finalmente
Redes e comunidades são diálogos. Não acho que de repente cairemos em um mundo mágico onde candidatos respondem a uma pergunta sem esquivas, mas só perceber qual candidato procura atender às perguntas feitas, e qual ignora completamente os seus eleitores, já é um critério importante.

Resposta ativa
Um candidato que acompanha a comunidade e interage com ela de verdade (e não posando para foto comendo feijoada na festinha do bairro), terá alguns recursos a mais para governar em prol da população.

Vai continuar na mesma

Política é política
Não, eu não acredito em Papai Noel. Eu sei que se houver alguma, a mudança vai ser minúscula ou pequena no dia-a-dia. Política é esse caldo nojendo de poder e dinheiro desde que o mundo é mundo.

Posts serão mentirosos
Informações serão forjadas, boatos construídos, passados revelados, tudo cuidadosamente linkado para fontes autênticas e confiáveis para provar o ponto de vista deste ou daquele. Sim, dependemos daquela massa guardada dentro de nossas cabeças para separar o orkut do twitter o joio do trigo.

As pessoas discutem política como futebol
Filho da puta! Ladrão! Gordo!  E assim como qualquer fórum de discussão aberto sobre futebol, serão os comentários abertos sobre política. Basta acompanhar os campos de comentários de grandes jornais brasileiros. Sempre há uma informação e ponto de vista precioso em um canto ou outro, mas é preciso procurar bem. O bar vai para a internet. Normal.

Isso é ruim!

Spam, spam spam spam spaaaam
Ahn, o dia das eleições. Basta sair de casa para ver as ruas da sua cidade cobertas com aqueles santinhos nojentos estampados com as sorridentes fuças de nossos adoráveis filhos do puta políticos.  Políticos poluem a cidade. E farão isso com a internet.

Listas de e-mail são baratas de comprar. Programas de e-mail marketing eu consigo até de graça! E assim aquele folheto que conta a vida do candidato que um dia brota no portão da sua casa vai nascer no seu e-mail.

Efetividade? Esquece, desde quando emporcalhar cidades é efetivo? Políticos fazem isso porque são mal comidos políticos.

Spam, spam spam spam spaaaam 2
Além do e-mail, pode esperar o spam também nas redes sociais. Sabe aquela comunidade bacana onde você discute iniciativas legais da sua cidade? Hora ou outra aparece aquele comentário:

LEGAL A COMUNEDADI. VOTE NO PEDRÃO, ELE É GENTE BOUA E VAI FAZER MUITO MAIS POR NÓZ! ABRASOS!

Mas não se engane, o mesmo comentário vai estar nas outras comunidades, blogs, e assim por diante enquanto o copy + paste permitir.

Chatos e crentes (não necessariamente nessa ordem)
Imagine um debate interessante em um blog. Não vai demorar para que os chatos comecem a criticar tudo, falar mal de todo mundo, assim como fazem os crentes em posts aleatórios que não gostam. (Por exemplo, quando você escreve sobre a feijoada que comeu, respondem quilometricamente sobre por quê você vai para o inferno.) Imagine se o pastor fosse candidato então? Ih, é candidato? Já era.

Enfim…

Ainda tem muito chão pela frente. Eu acho que o uso das redes sociais na política pode e até deve trazer resultados muito positivos para a nossa democracia, para o diálogo entre a política e a realidade. Mas o caminho vai ter pedras. Muitas delas.

E você, o que VOCÊ acha do assunto?

Por Rodrigo van Kampen

4 comentários

Aproveitando: hoje cedo, por indicação do @msoma, li um artigo muito bom do Pedro Dória ainda sobre política e web:

A quem servirá o blog – o Twitter, o YouTube, o Orkut – do Planalto?

Dani Passos disse:

Eu acho que devemos considerar que já existem iniciativas de se fazer o negócio direito.
Óbvio que muito partido vai errar – principalmente se tentarem fazer igual ao Obama (alô que o perfil do público estadunidense é muito mais preocupado com as questões políticas e governamentais, mas beleza), mas temos que levar em conta o fator valorização das mídias digitais, um fenômeno recente.

Vamos ver o que rola, né?

De qualquer forma, meus anti-spams estarão ativadíssimos.

Dani,
Iniciativas de fazer o negócio direito são muito positivas! Já vejo partidos contratando agências sérias para as campanhas, gente que sabe o que está fazendo. Mas além das campanhas para presidente, teremos para o Senado, e acho que aí a coisa vai pegar. Viva anti-spam!

Hélio Ribeiro disse:

Rodrigo, gostei do texto Política e Redes Sociais e possivelmente as campanhas políticas estarão (muiiito) presente no mundo digital nas próximas eleições. Acho tudo isso bastante positivo e também (lógico) que de uma forma ou de outra acabe sendo usado de forma inconsequente pelos maus políticos, no entanto, acredito que ficará mais facil sabermos quem é quem nesse jogo sujo.
E por falar nisso, estou pensando seriamente em disputar uma eleição nesse mundo digital, nem que seja para ganhar experiencia.

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