Não sei quem foi o primeiro a definir o conceito, mas chamamos de aplicativos que rodam “na nuvem” os aplicativos que não estão no nosso computador, mas rodam diretamente da web, como por exemplo e-mails, jogos, e aplicativos. Há até quem diga que hoje se pode usar praticamente todos os tipos de programas se você tiver um navegador e uma conexão. Quer um exemplo? A impressionante suíte Aviary, com editores de imagem quase tão poderosos quanto o photoshop.
A questão é: Até que ponto é interessante manter os seus programas, arquivos e dados na nuvem, ou seja, na web?
A discussão não é nova, mas só passei a pensar seriamente a respeito depois do que aconteceu com o blog de guerrilha: teve ser perfil no flickr apagado, com todas as fotos. É o tipo de coisa que acontece com os outros, nunca comigo.
A questão neste caso não é os termos de uso. Lendo com cuidado, você assina um serviço gratuito sem garantia nenhuma, concordando em ver alguns anunciozinhos aqui e ali. Bastante justo! Isto é, até você esquecer dos termos de uso e contar com o serviço sempre ali.
Sem apontar dedos, e sem entrar na questão de decisões arbitrárias, erros acontecem em todo lugar, às vezes até causado por ataques de hackers. E não há muito o que se possa fazer sobre isso.
Por que usamos um serviço sem garantias?
Porque é absurdamente conveniente. Acessar seus e-mails em qualquer lugar, guardar arquivos facilmente, compartilhar as suas fotos com o mundo, trocar mensagens, vídeos e salvar backups. Tudo isso sem precisar de qualquer conhecimento técnico e sem desembolsar um tostão. Escrevo este texto no Google Docs, porque é provável que precise acessar mais tarde de outro computador. Quer facilidade maior?
Mas não apenas por isso. Também por aquela coisinha social que temos como humanos. Não queremos apenas mostrar as fotos, mas comentar, ler comentários, e criar comunidades. Não basta escrever textos, precisamos incluir vídeos, apresentações e todo o tipo de material brilhante nele. A gente não quer só comida, a gente quer comer e quer fazer amor.
Backup! Backup! Backup!
Neste post do Lifehacker há explicações e programas para backup do Gmail, Flickr, Google Docs, Twitter, Facebook e Blogs. Mesmo que não seja possível salvar tudo integralmente, é bom manter uma cópia de pelo menos parte do material.
O problema não é o material. Como citou o Gfortes do Blog de Guerrilha:
Você pode dizer que faz backup de tudo. Menos mau. Mas você jamais recuperará comentários em suas fotos e os que você fez nas fotos dos outros, histórico, notas etc.
A graça das redes sociais é justamente isso, a parte social. E esse relacionamento é extremamente influenciado pelo meio, pela dinâmica do site. Basta ver a grande diferença nas comunidades do Flickr e do Picasa, por exemplo, ou do Orkut e Facebook. Quando você perde o acesso ao seu painel de controle, você perde o acesso a meses, às vezes anos de relacionamento.
O problema é ficar trancado do lado de fora
“Mas o armazenamento em cluster feito pelo Google, em servidores espalhados ao redor do mundo, com sete cópias de cada dado, é muito mais difícil de dar problema do que o meu pequeno HD”, diria o Fugita, do Techbits.
Isso é verdade. Os grandes servidores têm sistemas de backup e armazenagem bastante complexos e seguros. Uma verdadeira fortaleza. O problema é ficar preso do lado de fora. Às vezes por falha humana, às vezes um software o interpreta erroneamente como spammer, às vezes você pega um vírus que utiliza essas contas para bagunçar a rede de todo mundo e você é expulso. Ninguém está completamente seguro com seus dados.
Não adianta nadar contra a maré, a tendência é que cada vez mais nossos dados, arquivos e softwares estejam todos online. Nossos computadores, laptops e handhelds serão apenas dispositivos de conexão com este mundo, uma simples interface. Prova disso é o possível investimento da Apple em megaservidores e o futuro lançamento do Chrome OS, do Google.
Já um conceito bastante interessante um pouco na contramão dos outros é o do Opera Unite: transformar o navegador e os computadores dos usuários em pequenos servidores. Assim, o compartilhamento de informações e arquivos não dependeria mais de grandes centrais, funcionando pela própria rede.
Oh! E agora quem poderá nos defender?
Eeeeeeeeeeeeuu! O Chapolin Colorado! Além dos backups, você pode trabalhar com a idéia de canal-eixo, que é o ponto central da campanha, ou da sua personalidade online. Pode ser um blog, um site, ou uma rede social. O canal-eixo é o lar da sua personalidade web. É onde agrega sua presença online. Para que serve? Para linkar todos os seus sites, perfis e presenças na web.
No meu caso, o meu canal-eixo é tanto este blog quanto um mini-portfolio online que linka as principais redes que eu participo. Quando você tem um canal-eixo forte, bem amarrado com seus outros sites e perfis, a partir do momento que um deles cai, você tem onde avisar e linkar para o novo canal. Os interessados no conteúdo acabam reencontrando o caminho, mesmo que parte da audiência se perca no processo.
Portanto, o ideal é que o seu canal-eixo esteja em um servidor pago, com domínio próprio e com uma cópia no seu computador. Mesmo se o servidor morrer, você consegue outro para subir de novo rapidinho.
Redes Sociais e servidores na nuvem são práticos, convenientes, e facilitam a conversação, branding, relacionamento, a vida, o universo e tudo mais. Mas para não ficar de mãos abanando quando qualquer um destes te abandona, nada melhor que um bom backup e um canal-eixo confiável!
Por Rodrigo van Kampen
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Oi Rodrigo! Adorei o texto, nunca tinha pensado nisso. Mas meu senso natural de preocupação sempre fez com que eu salvasse meus arquivos mais preciosos (tipo um perfil de orkut que eu tinha antes. só não salvei os scraps!). Ah, e eu tive uma experiência muito ruim e que provavelmente despertou esse senso de preocupação: tinha um blog cheeio de textos meus, que eram legais até, bem acessado e tal, mas depois de 3 meses sem postar o blig simplesmente acabou com ele. Choquei!
Ah, gostei do novo layout do também!
beijinhos
Primeiro, parabens pelo novo layout. Sei que voce faz esse blog na raça, com muito suor em cada canto, acredito que logo seu esforço será recompensado (se é que já não foi).
Sobre a navegação em nuvens…
é uma puta besteira na minha opinião. Não o uso de coisas simples (jogos, email e etc) mas é dificil eu me imaginar usando um editor de texto ou imagem via web, ainda mais no Brasil que tem provedores com equipamentos sucateados e enchem de usuarios até que uma hora estoura e para um estado inteiro.
Coisas assim devem existir para se repensar alguns fatos, igual ao que a Apple faz com seus produtos, mas duvido que uma grande parcela dos usuarios irá aderir a isso.
(não tá tão inteligente assim mas dá pro gasto esse comentário)
Julia,
Já me aconteceu algo parecido. Eu tinha um blog no blogger. Aí um belo dia ele foi comprado pela Globo. E quando eu fiquei 3 meses sem postar o blog não foi apagado, mas eu perdi o acesso! E havia coisas que eu queria apagar e não tinha como. Mandei milhões de e-mails, mas minha solicitação nunca foi atendida (acho que foi sequer lida).
Carlos,
Eu acho que o fato do Brasil ter equipamentos sucateados pode justamente ser um fator para os aplicativos que rodam da web. Hoje em dia não é tão comum, mas acho que logo o processamento vai ser feito no servidor. Ou seja, mesmo com uma máquinha velha ou celular você acessa um “photoshop web” tão rápido quanto em uma máquina boa.
Agora, equipamentos ruins nos provedores, aí sim é um ponto interessante. No final, a coisa se resume ao preço: pagar um BOM provedor, ou comprar o software?
Abraços!
Seu Rodrigo!
Bom, legal o texto, acho que você escreveu tudo aquilo que eu deveria ter escrito mas não escrevi, hehehe! Aliás, valeu pela citação.
Carlos,
Bom, não enxergo como uma “puta besteira”. Um vídeo muito interessante sobre mashups (link abaixo), se extrapolado para essa ideia de software na nuvem, encaixa-se perfeitamente nessa modalidade de computação. O vídeo é:
http://news.zdnet.com/2422-13569_22-152729.html
Abraços!
Olá Pessoal,
Esse termo “nuvem” vem de longe, primeiramente em referência não só à web, mas a troca de dados pura mesmo. É muito usado em tecnologia (principalmente de Telecom). Eu penso como a mairia de vocês: segurança É segurança quando você a controla – e ainda assim, há controvérsias, não é? Mas a questão é que esses aplicativos têm a funcionalidade (ao menos como objetivo primário) de auxiliar a otimização dos processos de quem não tem espaço ou precisa usar ‘a nuvem’ para gerar conteúdos, trafegar informações que nem sempre são práticas se mantidas no próprio computador. Ser bom ou ruim como tudo, é relativo, porque o que foge do nosso controle fica nas mãos de quem o detém. Não uso porque não confio (realidade), mas conheço pessoas que deixam dados em aplicativos de compartilhamento e adoram essa otimização de espaço e tempo. Enfim, como tudo na onda da web 2.0, colaboração é isso né? Abraços pra vcs.
Fugita,
É um prazer ter a sua presença no meu blog! Acho que besteira ou não, mais cedo ou mais tarde nossa vida vai ser completamente invadida pela nuvem!
Cris,
Realmente tudo é muito relativo, com um lado bom e ruim. Não sabia que o termo “nuvem” já era utilizando antes, não apareceu nada anterior nas minhas pesquisas. A questão do controle, vixe! Muitas vezes você pode ter todos os dados no seu próprio HD, mas qual é o controle real que você tem sobre ele?