Ninguém vai matar ninguém não!

Postado em Artigo em 01/07/2009 com as tags , , .

O cinema vai matar o teatro. O rádio vai matar o cinema. A televisão vai matar o rádio. A internet vai matar a televisão. Os blogs destruirão a literatura. O twitter é o ponto final dos blogs. E, para atualizar um pouco, as redes sociais matarão as listas de discussão e o google wave cortará a cabeça de todo mundo. Alguém percebe um padrão nisso tudo? Por favor, chega de posts anunciando o fim do mundo de um meio.

Mas Rodrigo, o VHS acabou com o Betamax, o DVD está afogando o VHS e o Blue Ray provavelmente riscará os dvds do mapa em pouco tempo! Aí é que está. Todas essas siglas bonitinhas servem ao mesmo propósito: armazenar mídia. Blogs, twitter, rádio, podcasts, videocast, fórum, mensagens instantâneas e listas de e-mail servem para coisas diferentes. Têm públicos, características e funções diferentes.

O que acontece, na verdade, é a existência de um meio não só complementar, mas acelerar a evolução de outro. Os podcasts, por exemplo, trouxeram nova luz aos programas de rádio. E não tem como o Twitter, com um limite de 140 caracteres substituir os blogs. Afinal, onde é que você vai destrinchar o seu argumento inteiro? (Mesmo porque, grande parte dos links que circulam pelo Twitter apontam para blogs.)

Até nos formatos, ou ferramentas, que tendem a um ciclo de vida e morte, ainda há sobrevida se reinventando, ou pela própria dinâmica da cauda longa: alguns detalhes sempre farão diferença significativa para um público ou outro. Tanto que parece que o Google estará por aí até 2084!

Oras…

In my mind and in my car,
we can’t rewind we’ve gone to far.
Pictures came and broke your heart,
put the blame on VCR.

*Foto por Bruno Boutot

Por Rodrigo van Kampen

13 comentários

ViTeobaldo disse:

Concordo plenamente! As pessoas estao acostumadas a ver o q está logo a sua frente. Parem para pensar! Percam um pouco de tempo analisando as personagens e circunstancias antes de pregar o fim do mundo de um meio (gostei disso!). Parabéns pelo ótimo artigo!

Marcos disse:

Muito bom artigo. A verdade é que tudo se transforma. Eu tenho o perfil no Facebook, a Globo vai ter um usuário no Twitter, a Folha vai ter um blog e o Paulo Coelho vai aparecer na TV. Essa evolução é comum.

Muito legal a construção da idéia. =]
É engraçado como esse discurso se reproduz por tanto tempo e as pessoas ainda insistem em “matar” tantos meios. Não olham, sequer, para os seus próprios comportamentos de consumo ou vão dizer que agora só vêem o mundo por meio do twitter?

Rita Sastre disse:

Peixe, muito bom texto. Creio que a cada mídia nova, a cada novo canal, tudo se transforma, mas isso não significa a morte e sim a evolução.
bj gde

Eu te odeio. :)

Já havia jurado pra mim mesmo que não ia assinar mais nenhum feed, mas ao encontrar teu blog (graças a um link no Twitter, coroando tua teoria) não tem como não assinar.

Quanto aos fatalistas, nada há a acrescentar ao teu argumento.

Nat Valarini disse:

Olá!

Excelente texto!

Tudo o que é novo, costuma chamar a atenção, causar um burburinho.

Como você já explicou, muito bem, cada um tem função e péblico alvo diferentes.

Um bom exemplo ‘ilustrativo’ disto é o vinil. Logicamente, são poucos os consumidores dos discões, entretanto, o fato de existir o CD, não fez com que os discos de vinil fossem esquecidos (há pessoas comprando e vendendo estas raridades o tempo todo).

O importante é agregar o novo para facilitar a comunicação.

Kiso!

Ricardo disse:

Blogs, twitter, rádio, podcasts, videocast, fórum, mensagens instantâneas e listas de e-mail não servem para coisas diferentes coisa de nenhuma. Tudo isto e mais os DVDs, CDs, etc. servem como meio de transmissão de informação (sem entrar aqui na questão do que é informação).

Não é por isto que uns acabam e outros não. Uma forma bem simples de explicar é que uns meios dão espaço a outros por conta de um efeito chamado “network externalities”. Em poucas linhas, significa que quanto mais pessoas utilizam um meio, mais poderoso ele se torna, enfraquecendo os demais. É só por isto que o VHS acabou com o Betamax e que o Windows é o todo poderoso até hoje. Recomendo o livro do Carl Shapiro (Information Rules: A Strategic Guide to the Network Economy) para entender melhor o assunto.

Por isto, é bem provável que a TV como nós a conhecemos hoje acabe sim! Quanto mais pessoas utilizam vídeos online, menos relevância tem a TV (e isto já está acontecendo – eu por exemplo, nem tenho mais TV). Blogs podem também acabar um dia, dando espaço a plataformas integradas a redes sociais (como já faz o Facebook). O rádio (aquele tradicional) também está acabando, e muitas estações americanas já estão encerrando suas transmissões via ondas, mantendo apenas seus serviços online.

O que não vai acabar é a produção de conteúdo, bem ao contrário, ele tende a se expandir, independente do meio utilizado.

Flávia Fayet disse:

Adoreiii o texto, com o tempo as coisas vão substituindo umas as outras, mas o twwiter não pode substituir os blogs. Tenho o meu blog desde outubro passado e adorooo, é uma valvula de escape mas tb um meio de conhecer pessoas legais… Já o twitter acho um tanto complicado! Abrços

Teilor disse:

Pode até ser que ninguém mate ninguém (com exceção do Sarney, que pode mandar uns capangas para matar alguns twitteiros), mas se as coisas não morrem elas se transformam.

O Twitter, os blogs e tudo mais podem ter objetivos diferentes, mas com certeza tem muito blogueiro escrevendo menos por causa do Twitter.

O que viraria um post acaba sendo resumido em 140 caracteres e se exercita menos a capacidade de desenvolver um assunto em favor da capacidade de transmiti-lo no menor espaço possível.

Rodrigo van Kampen disse:

Quantos comentários em um dia, é um recorde! Obrigado a todo mundo que leu e/ou comentou!

ViTeobaldo:
Nunca fui muito com apocalípticos. (Tanto literalmente quanto na definição do Umberto Eco). Pregam demais o fim dos tempos!

Marcos:
Concordo, a adoção de vários meios pelas produtoras de conteúdo é natural, e bem legal, eu diria! Porque “multimídia” não é vídeo+audio.

Candida:
Já vi até gente dizendo que não vale a pena viver em um mundo sem Michael Jackson!

Rita:
Evoluir é preciso! Nas palavras do Tiago, porque quem fica parado é poste!

Janio:
Bem vindo ao clube! Sei exatamente como é frear os feeds. Fico muito feliz com mais um leitor, espero não decepcionar!

Nat:
Pois é, sempre há os sobreviventes. As coisas mudam, claro que um meio “mainstream” pode virar específico. Mas matar? Não…

Ricardo:
Interessante, concordo e discordo. Eu acredito que haja sim uma evolução dos meios, e um ‘rebalanço’ no poder de cada um. Faz parte da dinâmica do mundo. O que eu acho que tende a acontecer é se extinguir o “modelo de negócios” que é a TV hoje (caro e ineficaz), mas afirmar a queda de um meio, mesmo no futuro, acho que é dar um passo maior que a perna. Anyway, preciso refletir mais sobre esse lado que você levantou!

Flávia:
O bom é que espaços pessoais nunca vão morrer. A menos que você mesmo o mate, ele sempre vai estar ali com seu conteúdo. O pior que acontecer é cair o servidor/sistema, mas aí é só migrar e colocar a casa em pé denovo!

Teilor:
Tem blogueiro escrevendo menos com o twitter, mas tem muita gente aprendendo a ser mais conciso. Vantagens e desvantagens… Sempre há.

Abraços a todos!

Ricardo disse:

Obrigado Rodrigo,

O problema da afirmação que a mídia faz é o seu tom apocalíptico. O erro, pra mim está aí. Não é pq a TV atual vai acabar que o mundo vai acabar.

Há claro uma evolução neste processo mas alguns meios e modelos vão dando naturalmente espaço a outros a medida em que vão ganhando força social.

Pra mim, neste caso, a cauda longa só explica a sobrevida de alguns meios (como o vinil) mas a importância econômica deles já se foi faz tempo.

Eu li sim de manha já, mas não tinha comentado… mas como vc comentou no meu vim retribuir! Seus posts são bons cara, se empolga em escrever mais !!! Abraço ae! @idegasperi no twitter

Patricia Melo disse:

As pessoas são mesmo dramáticas em ver o fim em todas das coisas, concordo com você em todos os aspéctos do post, o que existe é evolução e não morte, como em tudo que nos cerca.

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