Estou inaugurando agora a seção “mau exemplo” aqui no Peixe Fresco, onde vou trazer exemplos de campanhas de mídia ou de comunicação que deram errado. Como desgraça não tem hora para acontecer, esta sessão não terá uma frequência definida. Vou tentar também não citar em meus posts o nome da empresa, assim como faz o Eduardo Vasques no Pérolas, vou substituir por nomes de peixe. Mas não vou me preocupar se os links contém os nomes.
Este tropeço veio da lista “jornalistas da web“, que assino. Você pode ler a história em detalhes neste post, escrito por Milene Gonçalves.
Resumo da ópera:
Apareceu em uma comunidade de RP no orkut uma tal de Raquel, supostamente estudante da Cásper Líbero, se derretendo em elogios ao reposicionamento da Pacu Aviação. Após o início da discussão, um dos usuários pergunta por que Raquel havia postado praticamente a mesma coisa, com algumas alterações, em 75 comunidades de RP, turismo, hotelaria e afins. Caiu a máscara. Se não me engano, muitos dos posts foram apagados, outros não. Também não demorou até encontrarem algumas “amigas” de Raquel continuando a discussão, provavelmente para dar mais naturalidade à coisa.
Diagnóstico
A reação nas comunidades foi parecida com os comentários que li na lista de discussão de jornalistas, como por exemplo este de Bianca Leão:
Acho lamentável empresas deste porte apresentarem uma postura como esta. Nada contra lançar mão de Orkut e Blogs, Twitter ou qualquer outra ferramenta para destacar seu produto. Mas isso deve ser feito com cautela e seriedade. Que papelão tsc tsc tsc.
O curioso é como esses fatos refletem o desejo das companhias de entrarem no estranho mundo da web, das comunidades e das respostas, uma busca pela tão famigerada interação com o seu público alvo, bandeira que profissionais de marketing adoram levantar. Pelo menos desta vez ninguém quis distribuir o verdinho para comprar opiniões. O problema, na verdade, foi que a Pacu Aviação quis entrar na festa de bicão se passando por outro convidado.
A estratégia da empresa não estaria muito errada, não fosse por um detalhe: a falsidade. No último Links de Quinta trouxe um artigo falando que é insustentável manter um perfil falso por muito tempo. Não deu outra: o que gerou insatisfação foi o fato da Pacu Aviação tentar inflitrar uma opinião como se fosse de um entusiasta.
Qualquer um que tenha estudado comunicação, marketing ou psicologia sabe que as nossas opiniões são mediadas. A nossa avaliação sobre algo depende muito da avaliação dos outros sobre isso, assim se baseiam muitas campanhas, e é por isso que o ator bonitão aparece na TV dizendo que usa creme de barbear Baiacu. Contudo. as agências parecem se esquecer que na web não aparece somente a opinião controlada, mas todas as outras. E nisso a balança pode começar a pesar ao contrário, principalmente se virar uma bola de neve.
Stairway to heaven
Não é preciso ir longe para pinçar uma maneira certa de fazer as coisas. Como por exemplo esta proposta de Alexandre Carvalho na lista de discussão:
Eu acho que nem é necessário tanta cautela [nas comunidades]. Basta ser autêntico. Custava alguém da Pacu e dessas outras empresas, ou das respectivas agências, criar uma conta [oficial da agência, ou de alguém da equipe] e dizer a verdade? Algo como: “Oi, pessoal. Estamos trabalhando em uma campanha para a empresa XYZ e gostaríamos de saber a opinião de vocês blablablá para iniciarmos um trabalho yada yada yada.”
Simples e direto, sem enganar ninguém.
Ser honesto com o público é a chave para evitar que estratégias de comunicação se virem contra a empresa. Pois embora seja impossível garantir uma resposta positiva dos usuários, este é um passo importante na aproximação com eles. E se a resposta for negativa, o próximo passo é trabalhar para resolver isso na empresa, e não contratar equipes de marketing caríssimas para comunicar A e continuar mantendo o serviço C.
Neste mundo cão nunca se sabe…
Uma coisa que eu tenho pensado é que por enquanto as empresas têm tentado se aproximar do público para melhorar a sua imagem. Fico imaginando quanto tempo vai demorar até que não comecem a surgir campanhas de marketing “furadas de propósito”, mas encomendadas pelo concorrente.
Porque neste caso, não há declaração oficial de que “nada temos com o fato” que resolva. Sim, os culpados sempre aparecem mais cedo ou mais tarde. Mas aí o estrago já está feito. E infelizmente ética não estou conseguindo esperar nem dos tiozinhos que nos defenderam da ditadura.
Por Rodrigo van Kampen
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Rodrigo, acabe com essa política de não citar os nomes. Não faz o menor sentido usar Pacu Aviação se quem acompanhou o caso e lê este blog sabe que a empresa citada é a [editado].
O que o Eduardo Vasques faz é diferente, pois ali a intenção dele é preservar os profissionais das assessorias envolvidos nas trapalhadas que ele divulga.
Já este caso de marketing mal-conduzido, é muito importante que o público saiba quais são as empresas e agências que não têm a palavra “transparência” em seu manual de boas práticas.
Alexandre, eu vou continuar não citando nomes por alguns motivos: Primeiro, porque eu acredito que as companhias erram, e não cabe a mim, mero estudante de comunicação julgá-las.
Também não quero comprar briga com ninguém, pelo menos por enquanto não acho que isso seja melhor para ninguém. Se alguém quiser saber a companhia, vai ser fácil descobrir…
Mas não vai ser digitando o nome da companhia e os problemas dela em mecanismos de busca que as pessoas encontrarão este blog.
Enfim, eu sei que é diferente, mas mesmo assim vou continuar. Porque o que interessa é a experiência, e não queimar o filme de ninguém.
Abraços!
Mas você mesmo citou em outro post o caso de uma empresa que está processando a outra por conta de um notebook roubado. Inclusive a empresa que errou na comunicação com o cliente foi citada com todos os nomes e letras. Não é a mesma coisa?
Supondo que fosse você a parte lesada por causa de uma campanha mal planejada, por exemplo. Você continuaria usando nomes fictícios?
Eu sei que eu citei os nomes nos outros posts. Mas acho que vou editá-los. Na verdade um pouco do fato de eu começar a usar nomes fictícios veio de reflexões que fiz sobre o site e seus propósitos depois que escrevi aqueles posts. E eu acho que errei em citar o nome da companhia. Mesmo porque queimar o nome de determinada empresa é fechar portas, e esse é o contrário do objetivo do Peixe Fresco.
Se eu fosse a parte lesada por causa de uma campanha mal planejada, eu acho que não usaria nomes fictícios. Mas aí eu teria argumentos e um motivo para citar a companhia, o que, na atual situação, eu não tenho. E não vou tomar as dores dos outros.
Fechar portas? Não creio. A não ser que você esteja pensando em trabalhar em uma delas ou prospectar como possível conta para a assessoria onde você trabalha.
Se o veículo que você tem em mãos busca a isenção, cabe a essas empresas entender que precisam mudar suas atitudes, principalmente quando passam a estar expostas na Internet como conseqüência de seus atos.
Além disso, o que você está publicando aqui é informação, você está reportando um fato, e não uma mentira, e as próprias empresas sabem disso. Daí, usar nomes fictícios, a meu ver, dá a impressão de informação incompleta. Imagine isso em um jornal ou revista.
[...] Carvalho, nestes comentários) Aproveito para concordar com o Alexandre sobre o nome das empresas. Casos como esses precisam ser [...]
[...] Redes de relacionamentos são formadas por pessoas. Então não crie um perfil para a sua empresa, mas um perfil para uma pessoa da sua empresa. Uma das regras de ouro da social media é ser autêntico. Criar perfis falsos para falar bem da sua empresa é uma estratégia compravadamente furada. [...]
[...] Se trata de espalhar baboseira em redes sociais usando perfis falsos. Não funciona, empresas já tentaram fazer isso e deu [...]