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[Entrevista] Criador do Continue ensina a fidelizar os seus leitores

Entrevista

fabio_continue Fábio Bracht não é alguém muito conhecido. Também nunca apareceu no Guiness, mas conseguiu uma façanha digna de nota: criou um site que quase sem marketing em três meses ostenta entre 750 e 1400 visitas diárias, 210 assinantes por feed e uma comunidade de leitores ativa com comentários em quase todos os posts, o que por si só já é de dar inveja a muitos. Bracht é a alma por trás do Continue, blog sobre games cuja cultura é falar de “gamer para gamer”.

Nesta entrevista realizada por msn, ele contou sobre o site, seu surgimento, sobre como criar uma comunidade fiel de leitores, e mostra na prática como conhecer o seu público pode fazer toda a diferença:

Melhores momentos:

Se você escreve uma notícia de forma fria e robotizada, imparcial como um jornal, ninguém vai sentir vontade de comentar. A partir do momento que o leitor vê a tua opinião lá, e sabe que ele é um gamer tanto quanto o autor do texto, ele vai querer participar da conversa.

Hoje em dia praticamente todos os sites e blogs possuem podcasts, seria uma perda de tempo gravar, produzir, editar e publicar um que não valesse o esforço do leitor baixá-lo.

A entrevista:

Peixe Fresco: Fábio, bem vindo ao Peixe Fresco. Pode se apresentar brevemente?

Fábio Bracht: Olá, meu nome é Fabio Bracht e eu nunca sei me apresentar direito. Quando vim para São Paulo, acabei conseguindo a colaborar para as revistas da Conrad (EGM Brasil, Nintendo World, SuperDicas PlayStation) e depois de algum tempo arrumei lá um emprego fixo para cuidar do site Herói. Durante todo este tempo eu tive o blog 16-BIT, que só “abandonei” no fim de 2007, quando entrou no o meu projeto mais ambicioso, o Continue.

PF: E qual foi o pontapé inicial para começar o Continue?

Bracht: Na verdade, o pontapé inicial foi um pontapé no sentido literal da coisa. Durante um baque financeiro da Futuro (divisão da Conrad), tiveram que “liberar” todos os colaboradores. Foi quando eu ouvi falar que o Douglas Pereira, meu colega de casa, estava maquinando alguma coisa: um projeto realmente ambicioso, bem maior do que o Continue é hoje e provavelmente muito maior do que conseguiríamos dar conta inicialmente. Fomos tocando a idéia até a estréia do site (que a esta altura já tinha virado um blog), quando Douglas resolveu sair para ir perseguir outros projetos.

PF: E no seu ponto de vista, qual é o maior diferencial dele para os outros blogs/sites de games?

Bracht: Cada dia que passa eu percebo mais isto: o diferencial são as pessoas que escrevem. O conteúdo não existe sozinho, ele deve ser escrito por alguém. E a qualidade do texto é o melhor diferencial que um blog pode ter, com opiniões bem expressas, algo que fale diretamente com o leitor. Mais do que blogueiros ou pessoas de mídia, nós somos gamers exatamente como os nossos leitores. Gostamos do assunto tanto quanto eles, e isso tem que transparecer no texto. Esse é o diferencial do Continue.

PF: Agora que você tocou no assunto, está no primeiro post do site: “de gamer pra gamer”. Gostaria de que comentasse um pouco da linguagem do site ser mais solta.

Bracht: É como eu falei antes: a linguagem é solta porque é assim que nós, gamers, falamos uns com os outros. Quando um colaborador está com dificuldade para escrever um post, eu sempre digo: “Imagina que tu está numa mesa de bar conversando com algum amigo teu que entende tanto de videogame quanto tu”. Eu mesmo, quando travo, penso nisso. Não há porquê se levar tão a sério num ramo denominado “entretenimento”. Outra coisa que eu sempre penso é: jogar é investimento de tempo; ler o Continue também é investimento de tempo. Se o cara optou por ler o Continue em vez de estar jogando, a nossa missão é dar um pouco de entretenimento para ele junto com a informação.

PF: O site surgiu em 23 de Novembro, e 3 meses depois possui média de 1000 visitas diárias. Como foi que os leitores chegaram ao Continue?

Bracht: Cara, eu não faço muita idéia. Não sou paranóico com ficar observando número de acessos, sabe. O único leitor que de fato eu gosto de acompanhar é aquele que deixa um comentário, que publica uma reação ao nosso post no blog dele, que participa de alguma forma. Neste momento, eu preferiria ter 100 visitas diárias e 40, 50 comentários em cada post, do que 5000 visitas e pouquíssimos comentários. Mas sim, houve uma grande ajuda do blog do Pablo Miyazawa, do GamerBR. Fora isso não houve mais quase nenhum link que realmente trouxesse um mar de gente, eles foram chegando aos poucos, provavelmente via boca-a-boca, Twitter, fóruns, essas coisas.

PF: Então você prefere uma “comunidade” de leitores do que um punhado de anônimos.

Bracht: Ah, com certeza!

PF: E o quê você faz para estimular os comentários e esse senso de comunidade?

Bracht: A primeira medida para estimular os comentários é escrever de forma a aguçar no leitor a vontade de se expressar. Se você escreve uma notícia de forma fria e robotizada, imparcial como um jornal, ninguém vai sentir vontade de comentar. A partir do momento que o leitor vê a tua opinião lá, e sabe que ele é um gamer tanto quanto o autor do texto, ele vai querer participar da conversa. Cada post é um tópico de conversa, é um assunto novo que você puxa com a sua roda de amigos. Mas a coluna Discussão de Fim de Semana também é uma ótima forma de atrair novos “comentadores”.

PF: O outro lado: do quê sente falta no site?

Bracht: Várias coisas. Análises (reviews) são uma coisa que eu quero começar a publicar assim que possível, mas só vou começar quando tiver certeza que tenho uma estrutura que possibilite “fazer a coisa do jeito certo”. Um podcast e/ou um videocast também estão na lista, mas é uma dificuldade produzí-los de maneira que sejam relevantes. Hoje em dia praticamente todos os sites e blogs possuem podcasts, seria uma perda de tempo gravar, produzir, editar e publicar um que não valesse o esforço do leitor baixá-lo. Para isso tem que ser diferente, exclusivo. Também sinto falta de mais notícias, mais colaboradores, mais colunas de conteúdo exclusivo, mas grana, mais tempo, mais dedos, um teclado e um mouse melhores, um monitor de 21″ wide, etc.

PF: E de tudo o que nós mortais sentimos falta! Bom, isso chega ao final da nossa conversa. Algo mais a acrescentar?

Bracht: Um agradecimento, posso? Quero agradecer ao Lef, ao Lipedal e à Suzana, meus colaboradores; ao Vinícius, pela grande ajuda técnica; ao Pablo Miyazawa, por ter me aberto as portas; e principalmente à minha namorada Érika, que inacreditavelmente me apóia nessa loucura toda.

PF: Ok, acabou o show da Xuxa. Fábio, muito obrigado mesmo pela entrevista!

Bracht: Ah, foi divertido!

Rodrigo van Kampen @ fevereiro 7, 2008

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