Slashdot ensina como perder a credibilidade
O Slashdot, site cuja proposta é trazer conteúdo e notícias a nerds, divulgou ontem que Paulo Coelho, um autor completamente desconhecido, vendeu mais de um milhão de cópias de seu livro, “O Alquimista”, depois de piratear a si mesmo.
É no mínimo estranho que um dos autores mais vendidos no mundo inteiro apareça como um completo desconhecido, mas mais estranho ainda o fato de que Slashdot possui editores.
Primeiro, o fato: Paulo Coelho criou um blog para distribuir cópias piratas e integrais de seus livros, o pirate coelho. Segundo suas afirmações no Digital, Life, Design, evento que ocorreu na Rússia esses dias, suas vendas aumentaram significativamente desde então.
Agora, um breve background do Slashdot. Criado em 1997, é um site cujas notícias são enviadas pelos mais de 100 mil leitores, filtradas por um grupo de editores e disponibilizadas em sua página principal, aberta a comentários.
Não é a primeira vez que o site publica um erro grosseiro. Aliás, faz parte da política do site estimular os leitores a comentarem e acompanharem os comentários para terem uma perspectiva mais completa da informação - e muitas vezes correções. Do FAQ do site:
How do you verify the accuracy of Slashdot stories?
We don’t. You do.
If something seems outrageous, we might look for some corroboration, but as a rule, we regard this as the responsibility of the submitter and the audience. This is why it’s important to read comments. You might find something that refutes, or supports, the story in the main.
É bastante confortável assumir a postura de não corrigir nada e deixar que os leitores decidam e descubram se a notícia é verdadeira ou não. Por isso cabe lembrar que o site não é jornalístico, como o caso do OhMyNews, jornal colaborativo coreano cujas reportagens são enviadas por leitores, mas verificadas por uma extensa equipe de editores, responsáveis pela acuidade da notícia.
São dois exemplos opostos. O curioso é que os constantes deslizes do Slashdot (que até há pouco também era severamente criticado por tropeços na língua inglesa também), não parecem ter efeito significativo sobre a sua popularidade. O público do site, mais acostumado à internet, sabe onde buscar as informações corretas se desconfiar de algo.
Não existe certo ou errado, são modos de tratar a informação. Eu prefiro acreditar no cuidado com a informação e enviar sempre a notícia correta, com os fatos verificados, mesmo porque leitores não têm tempo o disposição de corrigir os seus erros. O mais provável é que ele simplesmente abandone o seu veículo em busca de fontes mais corretas. Eu, pelo menos, acabo de apagar meu feed do Slashdot. Porque não quero correr o risco de repetir tropeços como esse.
Rodrigo van Kampen @ janeiro 26, 2008
Realmente uma postura dessa é muito complicada, pois sejamos sinceros: poucas pessoas irão, como você disse, “verificar a veracidade da notícia” e muito menos alguém irá verificar o que está acontecendo nos comentários.
É o efeito dos “leitores paraquedistas”, muitos lêem o título, o olho da notícia e acabam acreditando naquilo que foi dito.
Ruim para o site, ruim para o fruidor, ruim para todos!
Tô gostando do blog! Já tô assinando o bixim! X)
Um grande abraço,
.faso
Pois é, e já fui bastante criticado por criticar o Slashdot… Mas é que não consigo acreditar que um dos sites mais lidos do mundo apresente um descaso tão grande com a informação…
Legal, mais um leitor! Bem vindo!