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Qual o verdadeiro impacto de uma crise na web?

Artigo

Down Hill, por Andy Molina (sxc.hu) Estava conversando com um de meus professores sobre o meu trabalho de conclusão de curso, que é na área de assessoria de imprensa e internet, e ele me propôs a seguinte reflexão: tentar perceber qual é o verdadeiro impacto de uma crise na web no Brasil hoje. Essa questão aparentemente simples esconde algumas armadilhas.

Uma delas é a umbigosfera. Nós, blogueiros hiperconectados que passamos o dia todo na internet, tendemos a hipervalorizar este meio, dando-lhe um alcance “virtual” que nem sempre corresponde ao alcance real. Segundo uma pesquisa divulgada pelo Ibope/NetRatings, 40 milhões de pessoas no Brasil têm acesso à internet. Não é pouco. Mas também é complicado usar número absolutos de usuários da internet como alcance de algo na internet.

A dificuldade em medir o impacto de uma crise também está ligada à dificuldade ao medir o ROI (retorno de investimento), o que já é possível com a convergência de algumas tecnologias de pesquisa. O problema é que é muito mais simples medir quantas pessoas clicaram em um determinado link do que quantas pessoas deixaram de clicar devido a uma crise. E se considerarmos que a internet não está desvinculada ao resto da mídia, sempre existe o risco de uma crise começar na internet e se espalhar para os outros meios impressos, dependendo da proporção e do conteúdo da reclamação.

Infelizmente, não tenho números e nem um case real no qual uma crise em blogs ou em redes sociais se reverteu em prejuízo financeiro para determinada empresa. Sim, é claro que em certas crises a companhia ficou manchada para várias pessoas, mas no quanto isso se reverteu no financeiro da empresa são números complicados de se obter, principalmente ‘de fora’.

O que eu posso fazer aqui é na verdade uma reflexão. Para uma crise na internet se reverter em prejuízo, há inúmeros outros fatores envolvidos, como se o seu público está na internet. Por exemplo, qual a parcela do público das Casas Bahia que acessa com frequência blogs e conteúdo digital? Pode ser que eu esteja enganado, mas não acho que o impacto seria muito grande.

Já o caso das compras pela internet é mais delicado. Antes de comprar em sites desconhecidos, muitos procuram mais informações antes de gastar o dinheiro. Isso vale também para produtos, principalmente os mais novos no mercado.

O problema são sempre as (várias) excessões. Por exemplo, há uma marca de auto-falantes automotivos que é odiada por todos os fóruns e sites especializados no assunto devido à baixa qualidade do material, mas que é a mais vendida aqui na região de Bauru (e provavelmente de São Paulo), o que constatei quando fui pesquisar para comprar o som do meu carro. Uma divergência bastante curiosa.

Outro caso curioso é o de sites como Submarino, pois volta e meia me deparo com alguma reclamação, como a do rapaz que recebeu um tijolo ao invés de um Playstation 3, caso tão divulgado que recebeu 248 comentários. O Submarino é o 6º mais reclamado no site Reclame Aqui. Mas é também a 5ª empresa que mais responde às declarações, o que mostra a sua atenção com os consumidores, o que atenua um bocato as críticas.  A tempo, a história do tijolo acima foi resolvido em duas semanas, com todo o dinheiro retornado à conta do comprador, que transforma um case de crise em uma demonstração de cuidado com o consumidor:

Muitas das pessoas se valiam do argumento que o Submarino é uma empresa grande e nunca faria isso. Eu também acho que o Submarino, como instiuição não faria isso. Mas toda empresa possui funcionários, pessoas, que por algum motivo qualquer podem querer prejudicar a empresa ou, no mínino, favorecer a si próprio. Acho que foi isso que aconteceu. O mais engraçado é que o Submarino, o principal interessado, não duvidou de mim por nenhum segundo.

Por fim, eu sei que não trago a resposta para a pergunta que eu propus no título deste artigo. Mas repasso a reflexão me proposta, para sairmos do nosso mundinho hiperconectado, e tentar pensar, friamente, se uma crise na web tem tanto impacto quanto nós acreditamos. Eu ainda acho que isso pode ser devastador para a imagem de uma empresa. Mas talvez uma boa parte delas talvez sobreviva sem mais do que arranhões.

E você, tem algum dado sobre o assunto? E então, o quê você acha?

Rodrigo van Kampen @ junho 24, 2008

4 Comentários

  1. Andre Sampaio junho 24, 2008 @ 6:43 pm

    Rodrigo,

    Concordo quando você diz que certos blogueiros acreditam que movimentam o mundo. Chego a ficar assustado às vezes…

    Abraço!

    Andre Sampaio
    Conteúdo B - conteudob.wordpress.com

    P.S: Acesse este link: http://www.blogcorporativo.net/2007/01/16/blog-para-gestao-de-crises/

  2. Eu sou + eu e o cara junho 28, 2008 @ 4:20 pm

    Ocorre o seguinte: li seu blog, você me parece muito inteligente e antenado com relação a sua profissão. Só que você sempre comenta no blog da Silvinha-morena-sensação-linda-e-pernóstica e até você escreveu chatice com “ss” (chatisse) indo na onda de sua colega blogueira. Um detalhe, um espasmo, normal, mas você não acha que ela deveria estudar mais para não cometer esses erros? Não acha que um jornal deveria pedir PERDÃO a seus leitores quando comete erros ortográficos e/ou gramaticais? Fico maluca com isso e espero ser compreendida… Se tiver coragem, responda aqui! Bezin!!

  3. Rodrigo van Kampen junho 28, 2008 @ 5:43 pm

    Respondendo à pergunta: Seria interessante jornais se desculparem ou então colocarem um quadro com a grafia certa das palavras que erraram na última edição.
    Agora dentro do contexto da sua pergunta: jornais são jornais e blogs são blogs, são veículos diferentes. Um texto em um blog raramente é revisado por uma outra pessoa antes de ir ao ar. Eu me policio para tentar errar o mínimo possível em meus textos, mas já errei grosseiramente. Paciência, corrigi o texto e bola pra frente.
    Agora, comentários são comentários. Eu tento escrever corretamente assim como eu tento falar sem assassinar a língua portuguesa, mas se eu for conferir tudo antes de qualquer comentário estou perdido, eu comento em pelo menos três blogs por dia.

    Enfim, está respondida a sua questão. Mas como esta discussão está fora do assunto do blog, eu apagarei os dois comentários daqui uns dias. Tem meu e-mail para continuar a conversa.
    Abraços!

  4. Helder Encarnação junho 29, 2008 @ 6:19 am

    Rodrigo, tens aqui uma óptima pergunta de partida para o teu trabalho de final de curso, bem como uma problemática muito particular que dará pano para mangas. O post está óptimo; se o trabalho total for no mesmo caminho será a melhor nota de todas!
    Grande abraço

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