Barack Obama é o assunto do momento. Blogs e Mídias ainda ficam até o final de semana discutindo as eleições norte-americanas, mais tempo do que costumam discutir as eleições brasileiras. (Aliás, a cobertura também começou muito mais cedo).
Mas o que mais me impressiona é o tal “Efeito Obama”. Aí eu me pergunto. O que aquele homem fez para que não só americanos, mas os brasileiros e o mundo gostassem e torcessem tanto por ele?
Outro dia estava andando na rua perto de casa quando ouvi dois mecânicos conversando:
“E aí, votou no Obama?”
“Votei no Kassab. Mas se tivesse lá tinha votado.”
Os apresentadores do jornal matinal da Globo, único que assisto, estavam radiantes na quarta-feira. Até eu nutria uma boa simpatia por Obama antes de parar para pensar que essa simpatia era absolutamente infundada. Só porque ele tinha um site bonitinho? Só porque as pessoas falam bem? Percebi que eu não tinha informações suficientes, retirei-me à neutralidade.
Até o presidente Lula entrou na dança, com um apoio declarado. Particularmente acho um gigante tiro no pé ele declarar apoio a um candidato de outro país. Presidente tem que falar que a vitória será da democracia e o blablablá genérico, porque se um outro candidato vence, o país inteiro fica em uma situação desconfortável.
Obama é político, classe mundialmente relacionada com corrupção, roubalheira e coisa errada. (As piadas estão aí). E eu me pergunto: como, raios, o homem se esquivou desse sentimento e conquistou o mundo? Impressionante.
Será que ele pegou carona no sentimento mundial anti-bush, surgindo como a alternativa luminosa a esse câncer republicano?
Será por ele ser o primeiro candidato negro com chances reais (e vitória) na casa branca?
Será que foi a estratégia de mídias sociais que construiu uma ‘aura’ a ele na internet?
Será que Obama encarna uma esperança de algo diferente, um país melhor para os americanos e para o mundo? (Difícil beneficiar ambos os públicos. A impressão que tive quando estava lá na terra do tio Sam é que se é bom para os EUA, o mundo que se dane).
Será que foram os vídeos de pessoas sorrindo na foto, os apertos de mão com crianças e os beijos em bebês?
Ou então, mais sinistramente, Obama é uma figura absurdamente populista, do tipo de gentinhas que tivemos temos por aqui, mas que não conseguimos identificar porque as palavras saem em inglês da sua boca?
Não sei a resposta. Os mais centrados dirão que é um conjunto de todas as coisas. Sim, isso eu sei. Mas no marketing e na política 2+2 pode ser 4, 2, 5, 6 ou superfaturado para 15327. Então qual foi o ingrediente X a mais, o tempero da vitória de Obama?
Senhoras e senhores do marketing, temos muito a aprender com o novo homem da casa branca.
Por Rodrigo van Kampen
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Sr. Peixe,
Não posso te dar uma boa resposta para os seus questionamentos, mas vou passar a minha visão sobre o causo.
Eu sou do tipo que se pudesse dava CTRL+ALT+DELETE em brasília e em todos outro lugares onde há políticos e reiniciaria tudo novamente. Reinstalaria todo o sistema operacional political. Sou uma pessoa que apartidária e que escolhe seus governantes pesando os prós e contras, termiando ou por anular o voto (quando só tem contras de todos os lados) ou votando naquele que me faz pensar que ele pode melhorar as coisas um pouco. Simples assim (TM Oi).
Pela primeira vez na minha vida eu fiquei curioso pela eleição americana. Não que isso fosse mudar o mundo (e não vai) ou o Brasil (não vai mesmo), mas o Obama se tornou um ícone – uma marca que mostra que é possível ousar e fazer coisas diferentes. Poxa, se os americanos que são em sua maioria cheio de preceitos e preconceitos, elegeram um presidente negro, totalmente fora do esteriótipo branco-heróideguerra, isso significou -para mim- que dá para ter um pingo de esperança na humanidade.
Como já disse, ele não vai querer mudar o mundo. Não podemos nos preocupar com a rua se o nosso quintal tá bagunçado, mas Obama é um símbolo vivo (#conspiração por quanto tempo??) que podemos fazer transformações no micro e macro mundo. E saber usar isso ao seu favor foi a melhor e maior estratégia de marca que ele poderia fazer.
Pergunta final: será que se o Obama fosse branco, teria o mesmo impacto? Eu boto as minhas fichas no “não”.
Um super abraço,
.faso